De 8 para 80



Há cerca de 15 dias mudei de São Paulo para a Chapada Diamantina, na Bahia. Essa mudança 180° de vida ocorreu por vários motivos e um deles foi para estar mais ativa na preservação de um dos maiores tesouros do Brasil. A Chapada Diamantina é a maior Chapada do Brasil e é o berço dos principais rios que banham o estado.

Eu, como integrante do Coletivo Mude o Mundo, estou desenvolvendo uma campanha junto aos ativistas locais. Esse projeto visa preservar, educar e tornar público questões importantes sobre essa região do país, mas esse assunto fica para uma outra hora. Primeiro quero contar um pouco sobre o meu novo lar.

Há um tempo algo me dizia internamente a frase: “Menos é mais!”, e analisando todo um estilo de vida numa grande cidade resolvi ver o outro lado. Foi quando conheci um lugar chamado Vale do Capão.

O Vale do Capão é um distrito da cidade de Palmeiras na Chapada. Esse vilarejo tem em média 1800 habitantes, enquanto na Grande São Paulo tinha 18 milhões.

Apesar desse número tão pequeno de moradores, o Capão tem uma vida cultural muito rica. Com muitos festivais de música, shows com artistas circenses, teatro, dança… sem falar dos roteiros de trekking e esportes de aventura. Além disso, o Vale concentra um grande número de pessoas que estão na busca de evoluir como ser humano através do auto conhecimento e com consciência socioambiental. É por essas e outras que o Vale do Capão atrai turistas do mundo todo. E muitos deles, assim como eu, resolvem ficar de vez e ser cidadão da Chapada. Muitas nacionalidades, muitas línguas faladas o todo momento.

Na primeira semana pude conhecer um pouco mais os moradores desse lugar. Fui logo apresentada para a funcionária dos correios, pois aqui as correspondências são entregues pelo nome da pessoa. As casas não tem números, por isso, é importante deixar de ser logo um desconhecido. E rapidamente as pessoas passam a saber quem você é, o mais interessante é que as pessoas têm interesse em te conhecer, te dão boas vindas e te abraçam. Engraçado que nas cidades grandes acontece o oposto, somos muito mais um número que um nome. Somos só mais um na multidão.

Aqui também fervilha de atividades gratuitas, tem curso de palhaço, curso de grafite, dança afro, meditação. E as apresentações culturais são geralmente em lugares públicos com o pagamento de doação voluntária.

Enfim, encontrei aqui o ambiente perfeito que agrega qualidade de vida, senso de comunidade, integração com a natureza, possibilidade de colocar na prática todos os conceitos para a minha evolução pessoal e de fazer ações efetivas em prol do meio ambiente.



O que eu deixo como uma reflexão final é: Você tem se permitido mudar? Ir em busca de um estilo de vida mais coerente com o que você acredita? Você, no seu dia-a-dia, coloca em prática ações e atitudes que considera importante? Gerar ativamente mudanças também nos beneficia como indivíduos, descobrimos fontes mais profundas de empatia, descobrimos que somos mais fortes e corajosos do que imaginávamos.

Começamos mudando a nossa vida, o nosso mundo particular e com isso geramos mudanças ao nosso redor. E a cada passo que damos sentimos uma sensação profunda e duradoura de satisfação. Eu comecei mudando o meu mundo, comece agora a mudar também, por você.

Contos pitorescos - Chapada Diamantina




Pegamos a estrada sentindo Chapada Diamantina, resolvemos ir pelo meio de Minas Gerais e Bahia. 



Depois de algumas horas dentro carro, já com o corpo mole de tanto calor  e desanimados, tivemos uma brilhante ideia. No dia anterior, quando estávamos em Inhotim, visitamos a horta orgânica de especiarias do museu. Lá tinha diversas tipos pimentas e alguém do grupo resolveu pegar alguns exemplares dessas pimentas para uma degustação posterior. Tinha jalapeño, malagueta, dedo de moça, tudo isso fresquinho tirado do pé.

Como estávamos entediados dentro do carro e amamos pimenta (pelo menos a maior parte do grupo ama), resolvemos fazer essa degustação durante a viagem mesmo, dentro do carro. 



O efeito foi imediato, além do calor que naquela altura já estava nível Sahara, a energia e disposição que surgiu era comparado a você tomar 3 expressos juntos com energético. 
A sensação de bem estar era impressionante, acabava o tédio, o sono e cansaço. A experiência deu tão certo que durante a viagem, de tempos em tempos, pegávamos mais uma pimenta e compartilhávamos, pedacinho por pedacinho para dar um upgrade na turma. Só paramos quando acabaram as pimentas, e nos lamentamos por não termos colhidos algumas mais.



E assim seguimos a nossa viagem pelo interior do Brasil. Como fugimos das Brs mais movimentadas, conseguirmos passar por estradas vazias e com uma paisagem muito mais inusitada. O único contra era desviar de um buraco ou outro.




Fizemos algumas paradas na estrada, umas mais curiosas que outras. 
Umas delas tenho que registrar o fato pois foi quase cena de filme. Estávamos na estrada umas 9h e resolvemos parar no primeiro bar/restaurante/ boteco que encontrássemos. 
Paramos o carro em frente do estabelecimento que não fazíamos ideia em que categoria encaixar. Era algo como um boteco, só que no interior da Bahia. Naquele lugar me parecia que usar camiseta era opcional, mas a peixeira era essencial.

Cada um tratou de rapidamente resolver suas necessidades básicas como banheiro e comida. O banheiro nem precisa falar que era quase inutilizável. Se não fosse a natureza que chamava sem piedade, teria desistido dessa empreitada. A comida então nem pensar, tinha carne até no arroz.  O jeito era partir para a água de coco. 

A essa altura todas as pessoas que estavam presentes nos olhavam com um ar de quase espanto. Foi quando o vendedor do bar chegou para um de nós e perguntou, se referindo ao nosso jeito, tatuagem, roupas diferentes... “Por que vocês são assim? É hippie ou esporte?” 

Meu amigo respondeu: “Nem um nem outro, somos assim porque queremos mesmo.” E o funcionário ficou ainda mais perplexo. 
Quase choramos de rir com essa situação. Que tipo de pergunta foi essa, minha gente? 
Acho que se aparecesse um ET não chamaria tanta atenção quanto nós 4.


Primeira parada - Inhotim



Comecei a minha viagem de fim de ano com o Coletivo Mude o Mundo: Comece por Você!, rumo a Chapada Diamantina/BA. Mas antes resolvemos passar em outros lugares.

Da estrada fomos direto para Inhotim, o maior centro de arte contemporânea a céu aberto do mundo, com diversas galerias de arte no meio de um jardim botânico.


É curioso o tanto de gente que nunca ouviu falar de lá. 
O acervo abriga mais de 500 obras de artistas de renome nacional e internacional tais como Hélio Oiticica (1937-1980), Matthew Barney, Olafur Eliasson, Cildo Meireles, Adriana Varejão, Tunga e Vik Muniz, entre outros.



Desenvolvem pesquisas na área ambiental, ações educativas e um significativo programa de inclusão e cidadania. Contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do município de Brumadinho e de seu entorno. 



Passamos o dia por lá e ficamos encantados com toda a estrutura de Inhotim, é realmente impecável. É o tipo de local que você com certeza sai uma pessoa diferente de quando entrou. 



Essa era a minha segunda vez nesse lugar incrível. É impossível visitar todas as galerias num dia só, fora a parte de botânica para conhecer.  

O espaço é enorme, e a arquitetura e o rico jardim botânico foram planejados para dialogar com os trabalhos de artistas do mundo todo. O projeto paisagístico teve o toque de Roberto Burle Marx e, ao redor de suas trilhas e lagos, encontram-se uma das maiores coleções de palmeiras do mundo (cerca de 1500 espécies) e o maior acervo de aráceas do Hemisfério Sul (mais de 450 espécies), além de espaços que recriam os ambientes da floresta amazônica e da mata atlântica.



O bom é que existe respiro entre uma obra e outra, o que evita o cansaço comum em grandes museus fechados. 

Quando você for visitar, se programe para ficar mais de um dia. 


As minhas obras preferidas foram, não por acaso, as obras sonoras. Os destaques são as 2 instalações de Janet Cardiff e George Bures Miller. 

A primeira fica perto da recepção, na Galeria Praça, fica a Forty part motet: 40 autofalantes reproduzem, cada um, a voz de um integrante do coral da Catedral de Salisbury, cantando uma obra polifônica complexa. Eu sentei num banco bem no centro dos canais de áudio, fechei os olhos e apreciei o todo. 

Outra instalação dos artistas tem um galpão exclusivo. Na obra "O assassinato dos corvos", 98 autofalantes, ao redor dos espectadores, emitem sons de corvos, marchas e canções de ninar intercaladas com a voz de Cardiff, que conta uma espécie de sonho (em inglês, há um folheto com a transcrição e tradução para o português). As imagens se formam na mente de cada um, a sensação é de entrar no sonho de outra pessoa. É uma experiência muito sensorial.


O meu terceiro destaque, não menos importante, é tão falada obra “Sound Pavilion”  de Doug Aitken. Essa obra proporciona ao visitante a experiência de escutar o som do interior da Terra em tempo real. O som é hipnotizante, aproveitei para fazer minha meditação lá dentro.  É quase que instintivo você querer se concentrar naquela vibração, o som da Terra. Meu corpo chegava a tremer. Eu e os meus amigos ficamos um bom tempo lá dentro. Visitantes entravam e saiam e nós continuávamos lá, vivenciando a instalação por completo.
Fica a dica e a viagem continua...





Dicas de Orgânicos na Folha de SP




Outro dia a Folha de SP entrou em contato comigo querendo dicas sobre onde comprar orgânicos. Segue a matéria abaixo e o link.